Você sabe interpretar a linguagem corporal do seu gatinho?

Oi, pessoal! Hoje vou falar de um assunto que eu amo e apesar de parecer algo “bobo”, faz muita diferença tanto para os tutores quanto para os médicos veterinários, mas o mais importante é o quanto melhora a nossa relação com os gatos.

Já pararam pra pensar em como os felinos se comunicam entre eles e também, com a gente? Como eles demonstram emoções e sentimentos? Neste post, tentarei de forma resumida (só que não, sempre “falo demais” hehe) explicar a comunicação dos nossos tão amados gatinhos!

As pessoas costumam dizer que gatos são muito reservados e até chegam a usar a palavra: imprevisíveis. Mas será mesmo? Ou somos nós que ainda não sabemos interpretar os sinais que eles nos mostram? Os animais, em especial os felinos, se comunicam através da “linguagem corporal” e isso vem de muitos anos, quando ainda não eram domesticados.

Um animal sempre demonstra quando está começando a ficar desconfortável e se o incomodo persistir, ele pode partir para o ataque. Mas isso nunca vai acontecer sem antes mudar a expressão corporal.

 Devo lembrar que gatos não devem ser tratados como cães pequenos e essas duas espécies se expressam de forma totalmente diferente, ok? Mas então… o que devemos observar no nosso gatinho?

As principais formas que eles usarão para demonstrar seus sentimentos são:

Comunicação visual: mudança no tamanho das pupilas (a parte pretinha do olho)

Comunicação corporal: mudança na posição do corpo, posição das orelhas, movimento da cauda, pode dar tapas

Comunicação através de sons: rosnados, sibilos (os famosos “fuuusss”), vocalizando muito

Agora, vou explicar um pouquinho melhor sobre cada um, começando pelo mais fácil de notarmos e aprendermos a interpretar: a comunicação visual. Quando eles estão com medo ou agressivos, as pupilas estarão muito dilatas e os olhos bem abertos. Além disso, podem manter o olhar fixo e muito intenso no gato ou pessoa que está “incomodando”. Quando felizes, as pupilas estarão bem fininhas, manter o olhar relaxado e ainda, piscar lentamente.

Arquivo Pessoal – Thor durante atendimento. Percebam as pupilas bem dilatadas e olhos bem abertos,
orelhas virada para o lado

Mas lembrem que as pupilas podem ficar dilatadas também quando eles estão super “atacados” brincando. Ou ainda, em locais com pouca luminosidade para auxilia-los na visão noturna. Por isso, sempre levem em consideração qual tipo de situação eles se encontram.

Arquivo Pessoal – Pedrinho “atacado” caçando sua presa (brinquedinho), com as pupilas dilatadas, não totalmente devido a alta luminosidade do ambiente, orelhas voltadas para frente demonstrando atenção

Na comunicação corporal, conforme aumenta o medo ou agressividade, os pelos podem ficar eriçados, a cauda mexer cada vez mais rápido e bater com força. Além disso, os bigodinhos começam a ficar voltados pra frente, e como já foi mencionado, as orelhas vão virando para trás conforme vão se estressando até ficarem praticamente escondidas na nuca.

Quando as orelhas ficam voltadas pra frente, o gato está mostrando interesse. Quando assustados, eles também podem deixa-las planas ou achatadas, ou ainda voltadas para atrás, assim como quando irritados ou bravos.

Ainda sobre a expressão corporal, a cauda (rabinho) é um importante instrumento para eles demonstrarem os sentimentos. Quando ela está voltada para cima, “em pé”, seria como uma forma de cumprimentar o outro gato ou humano, como durante brincadeiras. Cauda baixa pode ser observadas em situações de brigas e quando entre as pernas, eles querem evitar o atrito. Dizem que quando eles vêm em nossa direção com o rabinho pra cima e “tremendo”, eles estão nos contando que estão muito felizes, ou ainda, demonstrar que nos amam. Fofo demais,né?

A nossa gata Mona, pra quem ainda não conhece, ama passear e andar de bicicleta, durante os passeios, ela vem em nossa direção o tempo toda com o rabinho tremendo, numa forma de agradecer e mostrar que está adorando. Pra quem quiser conhecer, o instagram dela é: @_mona_diva_

Quando chegam no extremo da agressividade ou quando são irascíveis ou ferais, rosnados e sibilos (famosos “fusss”) são comuns, além de tapas expondo as unhas. A língua tende a ficar curvada em forma de “C” e as orelhas totalmente escondidas para trás (uma forma de proteção, em caso de realmente acontecer o combate).

Arquivo Pessoal – Percebam as pupilas dilatadas, orelhas para o lado se direcionando para virar para trás, bigodes para frente, língua curvada em “C” e sibilo (sei dessa parte porque eu que fotografei). OBS.: Sim, é a Mona, minha gata. Ela tem uma personalidade bem forte e infelizmente, acabou sendo traumatizada quando adolescente, se tornando agressiva a quase irascível durante atendimento ou internação.

Além de todos esses sinais, temos o ronrom. Muitos tutores não sabem, mas nem sempre o ronronar significa felicidade. Em situações desconfortáveis (como por ex. sentindo dor), eles também podem ligar o motorzinho. Neste caso, eles vão utilizar esta ferramenta como forma de ajudar a se acalmar e se confortar. Muito comum durante períodos de internação.

Para facilitar a absorção de todo o conteúdo, temos este esquema:

Fonte para ambas as fotos:
LITTLE, Susan E. O gato: medicina interna. 1. ed. Rio de Janeiro : Roca, 2016

Existem situações que eles podem agir de forma mais agressiva e repentina, sem motivo aparente. Esse tipo de acontecimento é um forte indicativo de que algo está errado e precisa ser investigado, podendo até ser um sinal de dor. Por isso, sempre fiquem atentos a qualquer sinal de mudanças no comportamento. Sempre procure seu médico veterinário de confiança com urgência!

Este assunto é muito extenso, tentei passar as expressões corporais mais comuns. Espero que tenham gostado e o principal e que sempre foi o meu objetivo, que tenha ficado fácil de aprender e utilizar no dia a dia para fortalecer ainda mais a relação entre você e seu gatinho!

Beijos, Mai

29 de outubro de 2020

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Sobre a autora

Conheçam a nossa humana que é quem escreve no nosso blog, ela se chama Maiara Scapini Bazotti, é Médica Veterinária formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em 2015. Durante 2016 a 2018, fez residência veterinária no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na área de clínica médica de pequenos animais, se apaixonando ainda mais pela clínica de felinos. Atualmente, está realizando a pós graduação em clínica e cirurgia de felinos.

@vetmaiarabazotti

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