O que você precisa saber sobre FIV e FeLV! – parte 2

         

Este post é a continuação do anterior.

 

Como já comentei anteriormente, este vírus pertencente à família dos retrovírus, acomete exclusivamente felinos e uma vez que o gatinho se contamine, não há cura.

Como meu gatinho se contamina?

Enquanto a transmissão da FIV ocorre mais em brigas (mordeduras), a FeLV é mais em gatinhos que se dão bem – mas isso não é via de regra. E por que em gatinhos sociáveis?

Como já comentei anteriormente, este vírus pertencente à família dos retrovírus, acomete exclusivamente felinos e uma vez que o gatinho se contamine, não há cura.

Como meu gatinho se contamina?

Enquanto a transmissão da FIV ocorre mais em brigas (mordeduras), a FeLV é mais em gatinhos que se dão bem – mas isso não é via de regra. E por que em gatinhos sociáveis?

A saliva é a forma mais eficiente de transmissão e quando há boa interação social entre os felinos, eles costumam “dar banho” um no outro, aumentando a chance de contágio, mas mordidas também contaminam ok?

A disseminação também ocorre pelos potinhos de água e comida, e caixas de areia. Além disso, a mãe pode passar durante a gravidez (placenta), na amamentação e pelo hábito de lamber os filhotes.

Secreções nasais, fezes, urina, leite, agulhas e instrumentos contaminados (fômites), e transfusão de sangue também podem transmitir o vírus.

Quanto mais jovem um gatinho se contaminar, menor a expectativa de vida! Um gato que se contaminou ainda filhote, vive em média dois anos de idade.

Quais sintomas meu gatinho pode ter?

Alguns gatinhos podem demorar meses a anos até apresentar algum sintoma. Porém, assim como na FIV, os sintomas são bem inespecíficos podendo apresentar apatia, diminuição do apetite ou parar de comer, perda de peso e aparecimento de ínguas.

Conforme o avanço da doença, podem surgir tumores, leucemia, linfomas, anemia persistente, doenças nos olhos e pele, diarreia, alterações neurológicas, etc. Além disso, doenças oportunistas podem aparecer, pois a imunidade também é comprometida.

Como é o tratamento?

As recomendações básicas são basicamente as mesmas que na FIV. Manter o gatinho o mais saudável possível, com alimentação de boa qualidade, vacinação, vermífugos e antipulgas em dia, além de check ups frequentes com o médico veterinário de confiança.

Quando o gatinho começa a apresentar os sintomas, há variações de tratamentos entre eles, alguns vão necessitar de transfusões sanguíneas, outros de quimioterapia, estimulantes de apetite e imunidade, etc.

Como cada caso é único, cabe ao médico estabelecer a melhor conduta para cada paciente. Os testes para descobrir se seu gatinho possui o vírus são os mesmos que os usados para a FIV – snap test e PCR.

Considerações Gerais

É muito importante lembrarmos da nossa responsabilidade como tutores de animais, sempre frisarei isso aqui no blog!

Um gatinho que possui acesso à rua vive em média 6 a 8 anos, enquanto os que possuem criação indoor, ou seja, vivem apenas dentro de casa, a expectativa de vida aumenta para mais de 12 anos (já atendi uma gatinha de 20 anos!).

Gatos de vida livre estão sempre expostos aos perigos da rua: atropelamentos, intoxicações, maus tratos, sem falar das doenças – incluindo FIV e FeLV.

Caso seu gato possua FIV e/ou FeLV ou outra doença infecciosa, como tutor, você também tem a responsabilidade de manter este animal longe das ruas, tanto pela segurança dele quanto para diminuir a taxa de disseminação dessas doenças.

Sem falar que se o gato não é infectado, vocês também tem a responsabilidade de mantê-los em casa, para evitar a contaminação!

E quando um dos meus gatinhos deu positivo no exame?

Quando um gatinho é positivo para FIV e/ou FeLV, a família deve se conscientizar sobre alguns pontos. As duas doenças diminuem a expectativa de vida do animal, principalmente a FeLV.

Mas isso não significa que este gato não possa viver com qualidade de vida até que a doença se manifeste. Por isso a importância das visitas regulares ao médico veterinário.

Além disso, o ideal é que todos os gatos da casa sejam testados, pois nem sempre todos serão positivos. Após todos terem feito o teste, deve-se definir qual a vacina mais adequada para cada um e decidir se os gatos positivos serão separados dos negativos (por exemplo, cômodos diferentes da casa).

Importante lembrar que a vacina “contra” FeLV (quíntupla) protege em torno de 98%!

Sempre que adotar ou comprar um gatinho, deve-se fazer o teste diagnóstico antes de reunir com os demais animais da casa.

O ideal é fazer um período de quarentena (separado dos demais) de pelo menos 30 dias para a FIV e 60 dias para a FeLV para aí sim, realizar o exame, essa é indicação é por causa do tempo de incubação do vírus e até aparecer no exame; caso contrário, poderá ter um resultado que costumamos chamar de “falso negativo”.

Quero frisar que embora as duas doenças sejam graves, é possível sim dar uma boa qualidade de vida para este gato.

Infelizmente, muitas pessoas acham que gatinhos positivos estão condenados e por isso, muitos deles ficam aguardando para adoção e acabam ficando em abrigos até o fim da vida. Pensem neles com carinho quando for adotar um novo amigo!

Sei que esses dois posts ficaram bem extensos, mas é impossível não ficar visto a importância destas duas doenças.

Espero que tenha ajudado a sanar as dúvidas de vocês e principalmente, que tenha conseguido conscientizar os tutores, tanto sobre a importância da criação indoor e essas duas doenças, quanto sobre as adoções de gatinhos positivos – embora tenha falado brevemente. Abraço, Mai.

 

18 de junho de 2020

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Sobre a autora

Conheçam a nossa humana que é quem escreve no nosso blog, ela se chama Maiara Scapini Bazotti, é Médica Veterinária formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em 2015. Durante 2016 a 2018, fez residência veterinária no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na área de clínica médica de pequenos animais, se apaixonando ainda mais pela clínica de felinos. Atualmente, está realizando a pós graduação em clínica e cirurgia de felinos.

@vetmaiarabazotti

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